A pedagoga Jeruse Romão é, sem dúvida, uma das figuras mais emblemáticas e combativas na luta pela preservação e valorização da cultura negra em Santa Catarina. Sua trajetória é marcada por um ativismo firme, coerente e profundamente enraizado no compromisso com a ancestralidade, com a justiça social e com a visibilidade do povo negro — especialmente em um estado onde as narrativas oficiais, por tanto tempo, insistiram em silenciar essas vozes.
Há mais de três décadas, Jeruse reconhece a importância de Antonieta de Barros em sua caminhada. Esse vínculo, que nasceu do ativismo político e social, evoluiu para uma relação de profundo engajamento intelectual. Recentemente, transformou-se em missão: resgatar e amplificar o legado da catarinense que entrou para a história como a primeira mulher negra eleita deputada estadual no Brasil, em 1934.
Em 2023, Jeruse lançou seu segundo livro sobre a parlamentar, Antonieta de Barros: discursos, entrevistas e outros textos. A obra desmonta visões distorcidas forjadas pela branquitude — como a ideia de que Antonieta teria evitado tratar da questão racial ou que sua atuação na luta pelos direitos das mulheres teria sido secundária. Com rigor histórico e sensibilidade ancestral, Jeruse recoloca Antonieta no lugar que lhe é de direito: o de símbolo da resistência e da inteligência política negra.
desafiou barreiras de raça e gênero.
Num país onde o racismo estrutural ainda insiste em apagar as contribuições negras da história oficial, Jeruse Romão permanece como um farol. Sua presença inspira educadores, estudantes, militantes e comunidades inteiras a reconhecerem seu valor, suas raízes e a urgência de manter viva a cultura afro-brasileira.
Preservar o legado de Antonieta de Barros — mulher que desafiou barreiras de raça e gênero — é também garantir que meninas e meninos negros saibam que pertencem, que têm história, e que seus passos seguem guiados por aqueles que abriram caminhos com coragem.
Jeruse Romão é, portanto, mais do que uma educadora. É memória viva. É consciência em movimento. É voz que ecoa para que outras vozes também possam falar. Sua importância está justamente em jamais permitir que a história negra catarinense seja esquecida — porque lembrar é, sim, um ato de resistência.
Fonte/Créditos: Por Marcelo Martins
Créditos (Imagem de capa): Catarinas.info